quarta-feira, 15 de agosto de 2012






não esperas por mim
estou demasiado ocupado
estou demasiado desligado
demasiado afastado
demasiado distante
demasiado desapaixonado
demasiado esquecido
demasiado atrasado
demasiado distraído
demasiado cansado
demasiado sonolento
demasiado demais
demais

e ela foi embora.
nunca mais voltou.
nunca mais.


Flö
Uma taça de piedade
o que transborda é seco
o que escorre é medo
psicodélico passo
na garrafa quebrada
no vinho espalhado
assassinato
os dedos trëmulos
espantam a vida
a casa gemendo
ressuscita lembranças
o sonho vai ficando para trás
talvez nem exista mais..
uma taça de realidade
o que impele é beco
o que encolhe é velho
maldito caminho de taco
no vidro,espelho sempre borrado
náo vejo mais
o que restou de bom em mim
no vidro ainda aceso
vejo caminhos tortos
amores feitos
uma taça
e bebo
bebo-me
até esquecer que estou viva.



FLO

quarta-feira, 8 de agosto de 2012


A fumaça desta tarde traz-me
o mesmo afeto que por ora abandonei
todo o verde dormindo
também me pertence
este vento que roça e corta os poros
é Deus com suas mãos suaves
acariciando a solidão
dor universal
pelo meu corpo marcas de mares adoecidos
ondas de sonhos breves
sargaços em meus cabelos fétidos de mar
conchas que se abrem uma a uma
em meu peito pérola perdida
a fumaça desta tarde
me leva para perto dela
a primeira que amei.


Flô


Apanho o vento
com os dedos rasgados
bêbada de incensos
beijos mal tragados
apanho o nublado com  mão costurada
as pernas se desfazem
em árvores soltas
o tempo é tua chuva
o peso do que nos suporta
e pende em deslizes amorais
as folhas pálidas marcham
sob o vento coagido
todos nós partes do mesmo céu
suportamos uma estiagem fictícia
Apanho o vento
saio de mim sem medo
sou o vento que atravessa as grades
o cinza da guerra de cima
o cinza esconde o coração
o que chora é também nosso
o que vibra com a natureza inteira nas mãos
escuta também minhas preces
tudo se fecha
prepara-se a terra
para a chegada do alimento
lágrima divina viaja
percorre o tempo
o vento tece música em folhas órfãs
tudo canta para deságuar
tudo encanta para findar
minha identidade despede-se nas rotas traçadas nos dedos
nada mais de caminhos
apenas deslizes,feridas
rachaduras de amor
de um céu inerte
Minha chuva é permanente.




Flô



Pobre poesia que espera o beijo
que espera a rima
o amor nada tem a ver com o vento
ele passa
dói
e finca
embrutece olhos
e semeia labirintos
amor precipício
honras descabidas
amor eletrônico
vencido
invalidado
amor retificado
morto
chamado
amor untado
lacrado
mofado
rogado
selado
punido
ungido
alado
amor que vai Pobre
Poesia
espera
O beijo
o amor
nada
com o vento.



Flô

terça-feira, 7 de agosto de 2012







A bagunça de dentro
apalpando deslizes
norteando lamento
segregando mesmices
a loucura de fora
emprenhando desfiles
cavalgando tolices
semeando inventos
a bagunça de dentro
desfazendo as emendas
resgatando as hELENAS
me mostrando talentos
a loucura de dentro
a autora de tudo
a menina veneno
a constante aventura
deixo-me segura
por entre coisas jogadas
e versos jorrados
a bagunça da loucura
de fora que é traiçoeira.


Flô
O mundo colorido espelhado
espalhada sensação de invenções constantes
cortante pulsar adulto que me tira a verve
desnudo-me
quero a criança ainda em mim
e jogo-me
em chão
em são
em cão
a brincar na lama
a dançar salão
minha menina conversa em estrangeiro
e sua língua me mostra o amor
e sua língua desenha o encanto
em paredes em meu corpo em confissões de ontem
o mundo colorido realidade paralela
herança abstrata me canta me lança me (co)move
minha menina explica o que vê
e seus olhos pedrinhas brutas
catalisam o desejo de firme permanecer
dançamos em nossos olhares suados
de tanto brincar
deito com ela em seu mundo
pego de volta
o que restou de bom em mim..




Flô



Dentro do cubículo
guardo uma alegria escancarada
como subsolo leve
que contesse pulos e cantigas
uma voz miúda me desvenda os verbos
soletra meu tédio
soletra meu ócio
e me leva com ela
em passeio báus
dentro do cubículo
há ainda doce prisão
a natureza de fora nos aguarda ansiosa
árvores dançam esperando nossa chegada
e a luz canta dentro do quarto
a luz embala a fantasia
me olha com sonoridade
Helena brinca,e os bonecos também me falam
contam histórias incríveis do mundo real
dentro do cubiculo janelas fechadas
e peitos abertos
paredes manchadas e almas repletas
há ainda doce procissão de cartas e presentes pelo corredor
em breve,levaremos estes olhares para um lugar menor
e nosso lugar será enfim enorme
será enfim nosso Lar.



Flô
A MADEIRA
DE PERNAS INTEIRAS
MACIÇO DESEJO DE RUIR
QUINTAIS GUARDAM E AGUARDAM MORTES AFINS
PÊLOS DE EDIFÍCIOS TORTOS
DE PELES ESTURRICADAS PELA VERGONHA
UMA CIDADE INTEIRA DESMORONANDO
MINHA PERNA MADEIRA PÔDRE
DEU BICHO
O PÓ SE ESPALHA PELA NOITE
APAGANDO O FILME BOM
O ARTISTA ESCULPIU EM MIM
:MORTE!
EM MEUS JOELHOS
PANTORRILHAS
CALCANHARES
EM MINHAS COXAS
PÉS E PASSOS OLHARES
AS MADEIRAS DE PERNAS INTEIRAS
SUSPENSAS NO ÚLTIMO CÔMODO
ENQUANTO RATOS ESCOLHEM A SOBREMESA
ENQUANTO JUÍZAS DETERMINAM MINHA PATERNIDADE
MINHAS PERNAS ME LEVAM NO INTERIOR
RODA GIGANTE DE MADEIRA
QUEBRADIÇA LEMBRANÇA
DE QUANDO AINDA ERA DE CARNE E OSSO
MEU CORPO HOJE URGE E FINGE
MEU JACARANDÁ FIRME DESPEDE-SE
JÁ NÃO HÁ HISTÓRIAS NO JARDIM
NEM LATIDOS NEM CHOROS
NÃO HÁ PORTAS
E MESMO ASSIM,UMA PRISÃO EMERGE
ENGOLE E DEFINE MEU PARADEIRO
AS PERNAS DE MADEIRAS INTEIRAS
ME ARRASTAM,ME QUEBRAM ME MOSTRAM
A CAIXA DE ONDE VIM.
DE MADEIRA MACIÇA.

fLÔ

sábado, 28 de julho de 2012

Para amanhecer
coloque dois olhos batidos sem clara
uma xícara de café forte
duas colheres de ronco alheio
uma pitada de insônia concentrada
mexa tudo,ou bata num papel em branco
deixe no forno por alguns minutos
e está vindo o sol.


Flô


Correio


Chegou uma carta
atraso de vida
Dí Vida...
Aviso de corte
Luz e água
Dí Vida
aviso de morte
chegou uma carta
remanso de ida
falência e partida
abrir o envelope
destinatário certo
rasguei o aviso
sedex e telegrama
não trazem mais sorte.



Flô
Cala a boca coragem
sabes o que disse a vida?
cala-te bandida
não vê que procuro o vão?
ato de atiar-se fogo
ato de atirar-se longe
ato de atirar-me aqui
branco inquieto
que brinca de esconde esconde
com meus ímpetos sombrios
branco secreto
que desata os nós mais certos
e engata os desvarios.
cala a boca coragem
não te quero perto
sou irmã do medo
e a ele devo ser servo
sabes o que disse a vida?
vai-te e espanta ferida
que é p o medo ficar esperto
quando o escuro zombar de você
avisa a claridade
que o mundo as vezes te vê.



Flô
Em cada seio,caminhos próximos
uma profundidade extrangeira
um residente cego
as veias,as estrias,as velas e estradas
em cada seio uma ponte
artérias irmãs de coração primata
lampejam sobre a cama
tateando o medo
explosões do lado de lá do muro
amarelos senhores
melados de cana
água ardente inflamando paixões
em cada seio uma promessa desnuda
de permanecer quieta
incessantemente profunda
como se dois corações fundissem a alma
como se o que batesse fosse mesmo finito
e meu corpo desfalece sobre um grito
quando alma me chama de imunda!
vagabunda de seios fartos e bandidos
porque na palavra te fizesse pura?


Flô
Macia é a noite em minhas costas
dou-te o mundo devaneio vago
dou-te possibilidade de voo
dou-te trago
de mim
e te asseguro,lombras eternas
viagens áereas
por sobre asas de plástico
passarinho residente
doente desvario
macia é a mordida em minha pele
cordilheira segura
onde animais vagueiam rompendo absurdos
Macia é minha carne sobre a tua
roçando a guera iminente
trocando a semente
explorando desmundos
macia é a morte sobre meu colo
dou-te passagem secreta para o paraíso
dou-te incredulidade
dou-te um diabo azul
dou-te minha cidade.
Dou-te trago de mim
e levo de mim,teu sangue esculpido em céu;
Macia é a vaidade.



Flô

Descabida



insone
a arte buscando forma
palavra buscando terra
um céu de laqueaduras
esfinges de madrugada quente
seios a mostra
vaga semente
insone
dedos corrompendo
o ônus do mundo
dedos amorais
mouribundos
insone deslizes
de líquidos pueris
caminho nua
sou palavra nua
cavalgando sob o tempo
a procura de sentido
dá-me sentido cavalo doente
sob tuas patas formei meu manto
não sei definitivamente p onde ir
insone
o corpo buscando razão
uma noite de ventres brilhosos-libidinosos
numa imensidão de estrelaovários
penso em quem me lê
e insone
travo,estéril retrato
estúpida paro
madrugada de dedos fétidos de um sexoasos
meamei como a uma palavra
desmedida e quente,procurando prazer
quero o prazer da palavra escrita
que vem do gozo de minha buceta molhada.
escorrem pelo céu,frases inteiras
dedilhadas num prazer etéreo
descem do céu anjos lindos
vestidos de verso
para enxugar meu suor rimado
descem do céu deuses inteiros despidos de culpa
para aliviar meus pecados
agora em palavra em corpo
em espírito
sou insone que vaga
e some
por entre gemidos de auto ajuda.



Flô

quinta-feira, 5 de julho de 2012


O final do caminho
os cabelos caindo em minhas mãos
mãos que não querem mais dizer adeus
o álcool liberta morfina aos poucos
o final do caminho
quando olho p porta
e ficou tudo escancarado
ficou tudo pelas árvores
empregnadas emoções
que jamais tiveram gravidade
grave idade
hora de partir
de dentro de mim jamais sairá
não existe fim em meus ossos
todos os meus tumores são semetes tuas
você me matou quando não me amou
e tanta estrada e tanto pó ficou pelas fuligens
do final do caminho
a história queimada,não vivida,a história idealizada
o amor platônico
não tido
os tantos adeuses
o medo a cada despedida de ser mesmo a última
tudo faz sentido no final?
não vejo sentido em coisa alguma
suas tapas em minha alma
suas drogas e rock in rol alucinados
perfurando meu peito contra o tempo
não tivemos tempo
nem sei se um dia ainda teremos
nem sei se o amor foi real
não podíamos estar juntos
o final do caminho
agora a proposta

e minha morte parcial me visita os tímpanos
e encho a cara de cerveja para me olhar no espelho
energias saturadas,cansadas do ócio e da rotina
e ouço teus passos na manhã
junto com o cheiro da vida
e ouço tua chegada desesperada em busca de socorro
e jã não ouço nada
você sempre me avisou que partiria
e quem sabe de nós?
quem mesmo sabe o dia de amanhã?
o que foi o que é ou o que será o amor?
o final da linha é certo.
não há palavra que defina
o não vivido.
fim.








Flô

domingo, 1 de julho de 2012


Os corpos encontrados nos gritos
os corpos emudecidos
as barrigas paradas
fixadas num céu estático
as nuvens não se moviam mais
eu vi a morte
posso dizer que não tem nada de doce
embora um sono leve despertasse poesia
os corpos amputados do meu coração
os corpos cremados em minha alma
pairava pelas ruas como se há muito já tivesse morta
perambulava por sobre as árvores
como se os frutos me sugassem
eu era o sumo da morte
e embaixo da terra eu ascendia luas
embaixo da terra eu colava raízes estancadas na veia
Corria água pelos braços soltos
extrume,extrume
extremaunção
os corpos padeciam
as mortes feneciam
louca,contava a deus
que a culpa tinha levado meu resto de sanidade
dentro de qualquer sol a morte recita nua
que acaso chegue a tarde
não levará somente
aquele riso de repente
que damos do nada
os corpos envolvidos em mantos nada sagrados
seguiam para o lixão.



Flô

Quando um vento vem diferente
ali,num pedaço de vida
ali num canto esquecido
nosso lar passa a ser saída
todos os lados todas as brisas
aqui,fincando a terra dos antepassados
melindres surtados,ora jaz
ora caminho ao velório
vejo tudo,fotos,cartas,festas
mesa cheia e riso do avô banguelo
que acreditava que essa que vos fala
unificaria o significado família
que esta palavra sabe?
que ela diz?
quendo um vento vem diferente e arremessa
tudo contra as paredes de um velho engenho em chamas
minha mãe em cima de meus dedos
canta para ele dormir,
cabelos desalinhados,o vento levou-o
e ele sabia que ia
ela sabia que ia
o que seria da morte
sem a intuição?
quando um pássaro voa por perto
ali num pedaço de céu
ali numa nuvem doída
nosso lar passa a ser ferida
por todos os cantos
palavras despercebidas
entonações não compreendidas
a mão do vento
me diz baixinho
num toque na face
que deus não sabe de tudo
que deus não pode falar
a mão do vento me deixa
sentir
eu sinto
eu creio
eu voo.



Flô

a parede manchada de um tempo distante
musgos e caramurjos passeiam por entre meus olhos
cansados de mar
enfado de sonho
enfado de sonho
ali,naquele caos ele vivia
ela vivia
eu também tentava
e vivia,o lodo
vivia o lodo
da pele peluda
da pele dopada
da pele veluda
da pele rasgada
um quintal
um trago
um afago
quantos beijos valem uma morte?
e duas mortes?
quantos passos impedem o norte
quantos pés impelem o corte?
a parede manchada
o céu se desfalecendo
de um azul doente
a casa se despindo
as cenas se despedindo
as pulgas,os carrapatos,as moscas
uma platéia embevecida de minha glória
a arte naquele parede manchada de chuva
um sol que me aliciava por dentro
como se eu fosse mesmo
presa fácil do amor.



Flô

quinta-feira, 19 de abril de 2012

o que fazer do silêncio casado?
o que fazer para não pensar antes de escrever
e jogar tudo em branco sem pena
sem dó da palavra esguia
amputá-la,estupra-la,jorra-la mesmo
o que fazer do mundo paralelo a dois?
visitas breves de um mesmo sentimento
a pele toca uma cumplicidade tosca
mas a pele sabe do árduo de se ter
a pele sabe do gosto e da vontade
a pele sabe,mas a alma reconhece
querer viver agora é querer amanhã?
o que fazer do silêncio acoplado?
das perguntas de olhos fechados?
o que fazer dos livros não lidos na estante?
das caixas a espera da mudança?
o que fazer da criaça que cresce sem parar diante adiante
tudo tão rápido e não há um jardim próximo
as flores precisam ser plantadas
as flores sonham com um céu próspero
o que fazer do querer apesar do não poder
do estar apesar das diferenças
pensamentos que se dilaceram e se embrutecem
guerra amável e constante
amantes amigáveis instáveis perspicazes
o que fazer com todas as dúvidas do peito
quando o outro peito não compreende as tuas batidas
clichês de horas gastas,dias vencidos
prazo de validade do amor:
reconquistar-se todos os dias
se não azeda.

A Flô

Quem sou eu

Minha foto
Eu vou,atrevida,pisando nos relógios sento-me nos relógios sou a bailarina da caixa de música que dança em cima dos ponteiros e ilumina mesmo sem querer o outro lado das batidas do tempo... Flô