Quem sou eu

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Adélia Coelho Vulgo:Flor
"Tá na cara Que é você e era Mansa que se afera De repente já Sagarana Soberana rosa É romã, amora Pra romancear Doce-amara Fogo em cachoeira Água que queima Que dá cheiro ao chá Nave rara Voa branco, garça Voa lento, rasa Pra se assenhorar"
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010




Eu dançava dentro dele
é de manhã agora
estou na sala
enrolada no lençol
ele dorme em minha vagina
ele dorme quieto auscutando as vibrações do meu sagrado
ele é todo.
único.
infindo.
TODA fORÇA DE um homem,em seu extremo
toda força erguida de um homem em seu enxerto.
Minha dança desenha versos.
Acabo dormindo e me esqueço
minha caderneta é o sonho,lá continuo a dança
o que posso fazer se esta música insana me acaricia
o que posso fazer\deste cansaço fértil
o sexo me habita,minha religião é um pênis macio
minha religião é grandiosa e crescente
dentro de mim ela arde,esperando misericórdia
dentro do meu salão,deixo-me percorrer por teus passos e galopes febris
sinto tua pele fervendo e se abrindo como um rio que sente que vai morrer
morres em mim como o tempo nas árvores,passando despercebido
enquanto a aurora gosa de saudade
minha dança desenha versos..
e teus lábios cansados costuram valsas azuis
este momento é suave e violento
quero te comer por todos os lugares
que teu olhar se estenda
dentro de você há um fogo que alimenta meu dragão
minha fada cansou de voar por sobre livros encantados
minha fada agora tirou a roupa e gosa,gosa gosa até voar para seu lugar de origem.

Flô




Dentro do cálice o sêmen
goles densos de tediosa liturgia
no branco dos tecidos papaes
as manchas do sêmen
jorrado antes da clausura
dentro deste sagrado confiscado
o sexo,garra enjaulada
fera melada,negra mudada
dentro do cálice da tua missa
a imagem
será que estou sendo expurgada agora
nesse exato momento
brinco com o branco das batas dos padres
brinco com o marrom dos hábitos dos frades
e tomo,tomo lentamente o sêmen
quando se jorra uma esperança
o ouro derrete-se em corpos mutilados
embaixo dessa igreja há um santo
um santo que morreu virgem
um santo que não conheceu seu próprio sêmen
a cerimônia é iniciada com esmero
todos os cortinados acesos nos olhares valiosos
o papa quer falar,dê-lhem a voz
presenteiem-no com a hóstia de sêmen
como seria belo uma tempestade de sêmens
por sobre as imagens sagradas
por sobre nós ,condenados a prisão do pecado
como seria gostoso uma grande ejaculação
uma ejaculação universal
todos na mesma hora
espalhados por várias igrejas
corrompendo o sangue que ficou intacto
promovendo a sífilis congênita da submissão
perdoe-me as pobres freirinhas que me educaram
minha educação é intimamente sexual.
minha inspiração é extremamente sexual.
meu paladar,minha natureza,minha origem...
minha oração é um orgasmo múltiplo.
E o melhor não tenho que me ajoelhar no milho antes de dormir.
que deus ABENÇOE A TODOS.
AMÉM.

fLÔ



Tudo o mais é pressa
cansa-me qualquer tipo de venania afoita que burla os pecados do corpo
meu estado é veloz,atroz,é impiedoso,meu estado é guloso
teimo,continuo a teimar
tudo é mais e pressa
a calma desses dedos curtos é disfarce
sou sim irmã da morte
tudo mais é sonho
cansa-me qualquer tipo de chuva fina que corta o ventre atestando a finitude dos tecidos
meu corpo é infinito,embalsamo aqui meus deslizes
o sangue daquele dia mórbido entranhou-se em minha boca
hoje só falo a navalha
falo a navalha
ela me responde quieta
jorrando os coágulos poéticos desta natureza estúpida
desta garganta fétida de medo.
tudo mais é gana
tudo mais é garantido pelo sol.
pobre lua que se desmantela sobre todos os berços
enquanto a noite engole os lençóis
enquanto a noite inventa amantes
para despistar as estrelas atrevidas.cansa-me este verso batido
este verso atirado em calcaças conhecidas
estou exuasta dessa exatidão de poros
desta turma fracassada de escritores sórdidos
estou faminta de sangue.
minha irmã me chama,
tudo o mais é tempo.
tempo que escrevo para me libertar do tempo.


Flô

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009



Fazia esboços
tentativas fracassadas
de retornar ao tempo dos balões coloridos
procurava nas fotografias antigas algum motivo
fazia esboços
das casas que viriam,das que nunca chegaram,da que se encontrava
Resumia cada assunto,
enxugava cada história
Sucinto era o Senhor do Tempo
mal dava tempo de terminar o dia,
cadernetas com teefones riscados,
e meus balões esbranquiçados
estouram poeira sobre o ar
minha menina galega
ainda não chegou,espero ela vir me visitar num novo jardim
habitado por nuvens mais calmas e felizes
meu retrato de antigamente
é esta criança feliz que vos fala.

Flô














Iria me casar de luto
minha pele bailarina
dançava os enredos soterrados de ontem
meu véu esquecido era a terra dos filhos escolhidos
Iria me casar de luto
e ninguém saberia,
me casaria nua,
me casaria de olhos negros
colares de pérolas caiam sobre meus seios amarelos
Minha pele baialrina
dançava em calçadas de funerárias conhecidas
Iria me casar de luto
e todos os homens sabiam o que havia dentro da minha boca
ânsia,era ânsia de saber do tempo
a que vim,neste poro delinquente
nesta veia marginal,?
me casei de luto,.
aguei as plantas
enfeitei árvore de natal
rasguei a roupaca
sei meu luto com o teu.
somos agora as cinzas do que ficou de bom.
Dançarei sobre teus cortinados
teu cetins perfumados
deixo-te ansiar por minha castidade.

Flô

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009


Eu ,você e nossos carinhos contorcionistas

Seu olhar entre minhas pernas
nossas dança no tapete mágico
sua constelação ascendendo minha imagem
um não cansaço de afagos
toda a disposição dos mapas
dos corpos afoitos
eu,você e nossas carinhos contorcionistas
teu colo,travesseiro doce
teu abraço,alto refúgio
teu beijo desmaio absurdo
a aceleração das línguas na alma
eu,você e nosso começo.

aDÉLIA

terça-feira, 15 de dezembro de 2009


As folhas do jardim da frente
sabem da verdade
não quero jogá-las fora
coloco a música que acalma
e ainda com pouca claridade
entrando na casa amarela
sorrio pelos vasculhames azedos
daquela sujeira mórbida
tento não lembrar dos outros cheiros
minha cabeça dança
com as mesmas folhas sem cor
estou misturada a areia do caos
coloco meu vestido florido
pinto as unhas de vermelho...
tento escrever...
tento em vão entender
o por quê dela ter ido embora
e o por quê deu ter partido antes?
as folhas secas do jardim da frente
sabem bem da verdade
eu talvez nunca a tenha conhecido
será?


As vezes penso em me desesperar
e sair correndo sem destino
e não sei mesmo o que me impede de o fazer..
as vezes procuro sua pele,suas costas e ombros
e sorriso e mãos e suor e palavras
e olhar..as vezes procuro seus gemidos e choros
as vezes acho suas gargalhadas e seus beijos dramáticos
não,ninguém a viu como eu.


Adélia coelho