terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Se essa rua fosse minha...





Percebo as nuvens pesadas
minérios sem valor
compassos enjoados
deste vapor sem nome
que acomoda os inícios
meio termo sagrado
que abre o livro sem ler
colhendo das entidades
apenas o canto coagido
dos pássaros negros
percebo essa chuva
que rasga meus escritos
pertubado a água
que umedece os sentidos
escorro com o sangue das avenidas
de veias esgaçadas pela tempestade
vou-me com os escombros
pois quero sugar a lua
que mora embaixo das fontes
sigo,como sulco retirado das tragédias
e nas fluentes desesperadas do beijo
resgato as estrelas coloridas
que um dia ninaram meus mergulhos
mais crescentes...
a rua é um rio de orgasmos
disfarçados de paralelepípedos.


Adélia Coelho Flor 2009

De Todas as Luas Serei Atenta





Descubro sem querer que não sei mais por que ainda permaneço
Se posso voar das abelhas selvagens
se posso escutar os touros viajantes
e se posso dormir com o teto das flores
por qual motivo me mantenho acesa nesta embarcação?
Marujo estranho que guarda entre os dentes
restícios de serpentes mal amadas
nada agradável o sabor da natureza morna
aguçando os mortos que ainda enbriagam
meus delírios ausentes
Minha magia era apenas me sobrepor ao desconhecido
ela agora desfalece nas manhãs onde percebo mais claramente
que tudo que desejo é irreal.extremo
tão sublime quanto as nuvens que tem vontade própria
passam,formam,morrem...
a fugacidade da multiplicação lunar..
das minhas maõs nascem luas diferentes....


AdÉLIA fLOR2009

Galope coração


Dia branco na quintura do corpo que cai amargo
Na impaciência do colo sem leite
na ignorância do pus sem ferida
Dia nada Brando...
Gostoso sentar na canoa da imaginação
e distanciar-me ao máximo
para dias mais serenos,intensos,coloridos.
quando falo da boca que olha-me como lua que sangra
falo da intenção secreta da alma em encontrar-se
em forma em outro dom.
E esse calor que não passa...
e as estrelas que esquecem de visitar-me
e mesmo sem endereço persigo tantas mariposas
inultilmente.
Tomo água nas mãos do sol
e tenho dor nas raízes desconhecidas
dia branco na fervura dos dedos
Minha hora avisa
o amor quer moradia.
Galope coração.
Adélia Flor 2009

Testamento





Tua boca em respeito ao sagrado
por vezes fecha-se como concha absurda
quero pérola doce em minha língua
abre teus porões pelas frestas dos dentes floridos
conta pra mim a verdadeira história da fada dragão
conta menido de boca corada
canta sobre meu ventre tua história
por tanto guardada
aos poucos todos os inícios são a mesma porta
e aconchegas tua saliva sobre os meus mamilos entregues
famintos pelos filhos ausentes
tua boca em respeito ao sagrado silencia
esse amor,que todos os dias chove ainda
o sangue passado...
somos cúmplices da mesma dor
culpa da folha de outono...
amar-te assim...
sem compreender...


Adélia Coelho Flor 2009

Meu Sorriso Meia Lua




Amor de horas infindas
imersos um no sorriso do outro
dançando em cima da ventania colorida
que corre pra dentro
a fuga do peito em qualquer mágoa
e você,amor de horas tão lindas
insiste que em meus cabelos existem
vagalumes carnavalescos...
Vês minha alegria de alegorias por vezes instáveis
Vês na mais íntima verdade a brincadeira
da ternura coroada de gestos úmidos
cantando nossos olhos apertados-
no abraço agudo da saudade iminente
Amor das horas infindas,
meu menino dos olhos rabiscados
fazer as pazes todos os dias com nós mesmos
percebendo o mar que arrebenta perto
tecendo arco-íris próximos dos dedos-
doces tocáveis
esperas desmedidas e uma vontade imensa
de nunca te perder de vista.
amo-te sorriso meia lua.

Adélia Flor 2009

InundAÇÃO





Materna constelação de heroínas intocáveis
água progenitora furtando as máscaras
A projeção da pedra insana sobre o abismo da realidade
não sou sua mãe,não sou sua dona,
não sou seu caminho,nem morada;mas falo a verdade.
Todas as minhas mães perderam-se no tempo
sobre cavalos desencantados que nunca conheceram carruagens
a magia pitoresca de antepassados presentes
Materna constipação de adoecer os versos
antes que cheguem a tua boca
antes que pertubem tua concepção
Por onde viesses dessa vez?
canais iludidos
Alusão a falta-a ida-
a estrada da constante despedida
Dou-te o corpo,
mostro alma
e descubro o coração
e senta-te no meu colo
ávido por nova mãe
desfaleço,sexo sangrando Flores.
Perdão,eu mereço...
a mesma água que pinta teu cordão.


Adélia Coelho Flor 2009

Gravidade de ossos





Em teus ossos perfuro meu carinho prometido
abrindo-me em cada pétala sedenta por raios
secando-me a cada nova nuvem que ultrapassa
roubando-me a vida.
Em cada órgão que me concedes respiro
mais rapidamente nossa nota
faltam duas lâmpadas e dois cadeados
Peço-lhe,coloque as presilhas de borboletas
em meus cabelos,desenhe em cada fio
nossos disfarces descarados
não espero mais o penteador
Porém a cada noite os beijos que guardo
saem voando do meu pescoço
prato cheio para vampiros românticos.
Morde-me cada vez mais fundo.
e sem medo descobre que meu sangue
é o sulco perfumado de teus ossos.


Adélia Coelho Flor 2009

Quem sou eu

Minha foto
Eu vou,atrevida,pisando nos relógios sento-me nos relógios sou a bailarina da caixa de música que dança em cima dos ponteiros e ilumina mesmo sem querer o outro lado das batidas do tempo... Flô