quarta-feira, 2 de abril de 2008



MARIA LOUCA



Preciso mesmo manter-me em conflito para produzir?
e por que nunca me acho merecedora do amor alheio?
por que é tão distante para mim a paixão dos outros?
onde estão os acordes que despertam minha guarnição de valores?
chamem Narciso,meu espelho não é tão bonito
que houve com o rio?
dentro da loucura vou fixando os rítmos
de todas as fugas discretas
e daquelas gritantes
lavei meus cabelos ontem com água da chuva
tão fácil representar uma louca
no teatro só fiz loucas..
e acho mesmo que elas ainda me perseguem...
divertidas e tão sozinhas
converso com os coloridos objetos de meu quarto
e tenho medo de perder minha mãe
dormindo o dia inteiro
intensamente vivo.

Adélia ceolho 2008 abril


Estrada

Erguida em condor
em cor
e toda sua dor
facetas distintas
emergida da lama
do caos ás cinzas
passarinha...
de boa rinha
aqui considero:
sem luta verdadeira
nunca ,nunca teu sonho se erguerá
do teu amor em flor
jamais sairás
das janelas fechadas
de todos os teus "ais"
vai Flor
vais!não queira
simplesmente aceitar"jamais".

Não aceite a labuta fácil deste solo infértil
vá!você pode o palco
você pode o microfone
você pode o verso
você pode o amor
ele virá quando
te descobrires
de todas as tuas fugas...

fLOR 2008

terça-feira, 1 de abril de 2008




Volúpia em cansaços coloridos



Quem falou da prostituição foi minha perjorativa
ela manchou meu sexo,assim que o mundo me desvirginou,
assim que rompi o hímen de meu verso
rasgante orgânico de singela natureza
de nada adiantou sangrar a fome
as pernas incessantemente abrem meu mundo
e meu coração nem bate mais...
mas me dêem o prazer!
-o bom do coração-todos ja roubaram-me
roubo agora de todos vocês
os espermas da maldade!
nesta madrugada estou em chamas porque ainda não roubei..
mais uma prova da imbecilidade humana
É asim que todos matam sua sede
porque o puro fica aqui,
só no papel,porque o doce não pode ser experimentado em poros
porque o sexo não permite o amor.
desprezo meus posíveis amores quando vejo a probabilidade de dar certo
maltrato a chance,tripudiando em cima
de minha própria baixo estima.
é como se niguém pudesse realmente gostar de mim,
como se abeleza fosse sempre degradante e a inteligência superficial,
é como se a formação fosse sempre insuficiente
e a colocação inadequada,é como se estivesse sempre noutro tempo que não
o de ser feliz...por quê me auto saboto e espanto e expulso as pessoas?
por que não me dou a chance,esperando todos os dias
dormindo os sonhos,justificando na alma artista a poesia errante
a felicidade numa gaveta de um armário velho
quando vou voar?tantas chances apareceram..
e doce as desculpas,a hipocondria do mundo inteiro..
e falto,e não vou e deixo pelo caminho
porque não acredito em mim,porque tenho preguiça de me manter em pé
porque minha liberdade me esquartejou
estou paralítica por não ter tido os limites na hora certa
odeio ter que culpar o excesso do amor
mas preciso admitir que esse mesmo excesso me violenta
me corrompe,me paralisa...
preciso pintar um quadro(colorido)
desenhar uma árvore de cansaços(coloridos)
uma árvore onde existam todas as espécies de flores
divergindo somente nas cores....
ah..minha volúpia de cansaços coloridos!

Adélia Coelho abril 2008

Sobre a volúpia 2



Quero viver o meu amor fora dessas páginas
quaro viver o meu amor real!
meu esperado amor leal!
respiro,acalmo-me,minha letra muda e a lágrima fica suspensa no gôzo.
quero gozar para fugir de meu tédio apavorante.
quero gozar para escrever sobre a dor de ser usada.
QUERO SENTIR-ME PROMÍSCUA EM TUA MESA
sucumbir teus poros fétidos de ingênuas certezas
quero sangrar em teu pênis como passarinho cantante
que desfaz seu ninho ao aprender a voar
sugar seu néctar alcoólico de prazeres surdos!
eu não posso gritar!os vizinhos me podam!
os vizinhos me reprimem!
Nunca pude abrir as janelas
Assim criei todos os pássaros dentro de mim..
socorram as asas!!
o canto já empalideceu os amores esquecidos!
sobre a dor de ser usada sei bem constatar
todos os gritos bandidos no ouvido da madrugada
que em chamas guardava apenas os môrnos gemidos de bis...
uma noite é pouco para colorir todo o castelo sombrio
da infelicidade triunfante
uma noite inteira dentro de outro corpo
e acordo com menos ainda de mim...
vã ilusão:que o corpo pode submerger a alma
iminente declíneo quando partimos em busca de nossa voz deturpada
liberem liberem a moça!!sua pureza é inocente ela não tem culpa de nada
a semente continua intacta...

Adélia Coelho abril de 2008



Sobre a volúpia 1



Ando triste,não percebo que alguma nuvem longínqua me percebe,percebe meu potencial,e no que tenho de mais frágil,minha vontade de amar de encontrar alguém que me enxergue.a impressão que tenho é quanto mais transparante fico mais invisível me torno.As pessoas não me notam por me notarem demais,a ânsia deve ser mesmo o verdadeiro caos,a maçã pecadora de nada tem a ver com o adiamento das estrelas.a maçã Volúpia-Fruto só gostaria de ser tocada e saboreada com mais doçura.Quem compreende a Flor de um Fruto?quem?tenho andado triste e sei bem porquê,percebo algumas pessoas e a vontade dilacerada-acelera o susto-E TODOS FOGEM DA CHUVA!ócio ânsia ócio ância ócio ânsia...peito escarno dolorosa integração da borboleta que vem dentroquando partimos então nossa maçã.A alegria desnaturada da minha intrínseca dor,disfarça apenas os rios de pouca profundidade.Sou a personagem do sol,que só sabe brilhar a noite;quando diante das letras dilata seu estardalhaçoem pequenos corações-a energia que todos vêm são as faíscas de um fogo que não é somente meu.O que farei amanhã quando ainda sobrar-me tempo? Sentar-me-ei então na loucura de sentir todo esse sol na lua..e escrever,escrever, escrever....incandescer de todas as auroras ausentes,de todos os copos latentesdessa psicografia que grita em minhas maõs, desse orgasmo poético entranhado em meus dedospreciso emergir desse papel alucinado!tragam-me a tinta do real!

Adélia Coelho abril de 2008

POESIA DO PAIACINHO...



BELO PAIACINHO!

Tem um palhaço feito de silêncios
atrás da tinta amarga e alegre;
ar comprimido escondido
no vermelho que disfarça peso;
tem uma pedra pontuda e negra lá,
na altura do calcanhar;
tem suor, sabor e comichão dentro da luva agitada;
tem não se poderia contar de tanta coisa louca
por baixo da vestimenta ridiculamente cômica;
tem um mundo que já tem forma
por baixo da peruca bailarina...

Por isso a tinta, a luva, a vestimenta,
a peruca e a alegria:porque há dor, mas ninguém tem nada com isso.

Alexandre Melo




PARA FLOR



As poetisas sofrem
A dor é a sua matéria prima
Por isso eles sofrem
Querem escrever
Querem sofrer
Se machucar,
se bater
Se torturar,
se morder
Se ferir
e sangrar
Deixar o sangue correr
Gota a gota
Um chafariz pulsante
Encharcando o papel
E escrever ali
Com o rubro da dor
A dor que criou

G.B

Quem sou eu

Minha foto
Eu vou,atrevida,pisando nos relógios sento-me nos relógios sou a bailarina da caixa de música que dança em cima dos ponteiros e ilumina mesmo sem querer o outro lado das batidas do tempo... Flô