sexta-feira, 3 de abril de 2009


Ali do outro lado deste amarelo
há sótãos qua guardam saudades
Elas ficam talvez na eternidade que sempre reinventamos.
Elas cortam,quando resolvemos abrir as portas
de cada brilho enterrado nos olhos dos tijolos
Do outro lado deste amarelo imenso
que habita corroendo,há escadas brancas povoadas de beija-flores mudos
quando pisamos no primeiro degrau(girassol)o canto é nosso!
Mas beija-flor canta?Achei que só beijasse
E como posso pisar em seu alimento?Enfim...
Quando sobe-se esta escada se evidencia a presença divina do profundo.
E não é o tempo que dita a subida
é o canto-beijo que dignifica cada estadia
e cada degrau é um voo.


Flô

Cartas a uma atriz experiente2




Perderei a única coisa boa
De certo todo o meu resto é deserto
que gosta de sentir sede
perderei o únido laço saudável
Da terra finda-se também cada estação
e suas chuvas que deixam pequeninos órfãos
quando as encostas engolem toda e qualquer história.
Ele jogava bola por ali.Agora?
Em cada pedaço de cimento e carne que mistura-se
salva-se mais um adubo,que nem serve...
para o tipo de dor que inventa o próprio desmoronamento.

Flô

Carta a uma atriz experiente






Todas as tuas doenças são dotadas de uma maldade particular
tuas construções e pesadelos simbióticos e destrutivos...
Para você é preciso não andar,tampouco acreditar para continuar viva.
Porque é só isso que te prende as pessoas.
Os laços saudáveis,dissolveram-se todos.
Compreendo-te mas jamais aceitarei,concordarei com esta forma de lidar consigo mesmo e com o mundo.Nasci para vivenciar a saúde e todas as dádivas que esta vida ainda pode oferecer...
Não nasci para herdar uma auto-mutilação habitual...
Isso é teatro evoluído demais para uma jovem atriz.

Flô

Estrela salva?





Toda bagagem que te entreguei
não,nada conseguiu
Guardo cada passo que dei em teu falso
Sei que todas as malas tem um fim.
E o que habita em mim é palavra
que segue desatinada na morada corpo
Na minha balsa sagrada que faz-me viajar sempre.
Hoje aprendi que não se salva nenhuma estrela
que desiste de beijar a lua.
O céu se entristece e pede licença aos vestidos bucólicos
desaguando no arco-íris onde cada superfície se colore de identidade
e sabe o por quê de cada cor que segue junta...
quando não se salva a estrela
ainda existe o brilho,
o brilho na realidade é do céu.
É dele.


fLÔ




Abri a porta do precipício
achei que podia conhecer a loucura e tentar ajudá-la
ajudá-la?A loucura não finge,nem ultrapassa
A loucura é fina e transparente,é fio indefinido
que se transporta entre os dedos
Não há como enganar a lágrima de um louco.
Ela é poesia.
O fingimento é calculado racionalmente quando adotado na irrealidade.
Ele é estudado.Fingir dentro do ser real é assumir um conhecimento fugidio sobre as técnicas teatrais.é limitar-se a ser farsa fora do palco,para alcançar certo público.
E este mesmo público nunca aplaude.
O espetáculo é casativo e de uma inquietude doentia,
não o tipo de provocação que sucumbe o expectador
eleva-o enquanto indivíduo.
Quando o ciclo evidencia-se fica mais fácil constatar
uma má construção deste personagem
dá voltas e voltas e não ultrapassa o próprio precipício como platéia.
Não há oscilação,se mantem a mesma linha...
Os ruídos da comunicação foram enraizados e determinados...
e a verdade da farsa se entristece.
Trabalho mal feito.


Flô

Bom Baile




Então,deixo-te com teu baile suspenso nas dores
Meu telhado é cinza
e todo o resto chama-o sem cor
Então em cima do teu chôro dramatizado
existem todos os disfarces dos fracos
tua água funda e finda por onde nunca começaste
Foste sombra fria,cambaleando sobre qualquer tipo de céu,
que não este que nos cobre de realidade
Então deixo-te com teu teatro convicto
amaldiçoando todos os tons de amarelo
deixo-te dançar sobre os berros dos outros tantos personagens
que te habitam sem passaporte
segue desesperança congênita,segue agora despercebida
preciso ir ver o pôr vir...
preciso ir...
ainda é preciso sorrir.
Bom baile!

Flô

Sobre Lunáticos





Olhar para frente,para cima e ter uma tela de cinema mudo
uma dança leve e intensa que esconde esconde o sorriso alvo.
Ela ri irônica?ela ri envergonhada?
Sei que ela ri apenas,como se tudo o quanto fosse chôro aqui de baixo
fosse visto com otimismo pela fresta de eterna luz.
Ela ri para nos fazer crer que tudo é leve como o movimentar-se das nuvens
E tudo pode ser tão reluzente e tão fantástico como o deitar das estrelas
Basta permitir-se ser céu
E céu nunca está só.

Flô

Quem sou eu

Minha foto
Eu vou,atrevida,pisando nos relógios sento-me nos relógios sou a bailarina da caixa de música que dança em cima dos ponteiros e ilumina mesmo sem querer o outro lado das batidas do tempo... Flô