sexta-feira, 21 de março de 2008



Meus escuros fantasmas comunicando-me
com as vontades póstumas
córporea construção imediata
giletes costuram meus pedaços a disposição
essa figura--olha a foto--engenho
Minhoca--transgride minha oração!
eu te dou minha borboleta
porém guardo bem as asas
mariposa esposa do mar....

Flor



Essa figura----Holofote---Engenhoca-----
Transfigura meu coração
em invenção/ paródia
Primeiro ato
da insanidade dos pães alheios
Estagnação do Mar
incolores satisfações
dos dedos cansados de beber nostalgia
há trabalhos para fazer---e coloco bolos no fôrno
há sonhos para tecer----e afogo almas no porto
dona de casa de sonhos sem asas
dona de tacos sonoras saudades
dores abstratas......

Flor

Descanso assim...sobre meu pouso

mARaDENTRO


Enjoa-me teus ossos poluídos de desertos
meu corpo é, uma balsa suja
onde os marujos depositam seu cansaço
meu corpo é um cais mouribundo
onde as âncoras desafogam suas mágoas
enjoa-me teus gemidos meninos
meu estomâgo que ir através de tua língua buscar
as palavras que dedilham os mapas de meus devaneios
enjoa-me teus cabelos escondidos
meu corpo é um barco antigo
madeira desgastada das ondas
onde os piratas desbravam os territórios do nada ...

Flor

terça-feira, 18 de março de 2008

ESTE DOMINGO




Domingo alucinógeno



Têm dias que você prefere ficar assim
lambendo a nostalgia nos dedos
deixando os espasmos do ócio adentrarem pela porta
têm dias que não há nada...a não ser o chôro engasgado
e o desejo entranhado de colocar algo para fora...
sensação de indigestão..sufocamento...prisão do ventre..gravidez
do meu ventre saem os filhos de um mundo tão estranho
domingos enbalados de filmes românticos e dramáticos
têm dias que você precisa de provocações..
têm dias que você não queria tê-los(os dias)
por alguns instantes que parasse a ampulheta
naqueles momentos que conseguimos assimilar a essência disso tudo
que gira gira gira e ás vezes não faz sentido algumque parte, parte ,retoma caminhos..
e não diz "sargento!" a que veio!
esses dias estou meio assim..dando corda as minhas bailarinas encantadas
há tempos não as visitava
as músicas ainda cantam garagantam arranhadas
baile de saudades tão perfumadas
destruam esses perfumes insanos
quero partir do osso-aço-ócio real!
quero evacuar o verso em tua boca!
quero evacuar o verso em tua boca!
dançar nossos beijos nas ruas
alimentar teus pombos no último andar de teu mundo
subir subir subir..quero possuir por alguns tecidos sujos
teu cárcere amoral
quero fluir de tua pele sedenta de distonias leves
quero sucumbir do teu absurdo, da tua fuga libertina
de teu sorriso sarcástico..misturo imundos...imundo os mistos mundos
têm dias que você prefere ficar assim
como quem não tem responsabilidades
a não se colocar pra fora o filho-verso que vem vindo
angústia..agonia..apertoo
apertem os cintos!!!
a viajem começou
quero o pó...paulo [ótavio..me falaram de vc!
mas quero o pó de meus restos..
será que eles ainda me ouvem?
evoluam..quero cheirar o meu pó!
quero fumar a minha maconha!
quero visitar eva!me falaram de eva!!!
será que eva beija bem?
preciso conhecer o perfume dessa erva
que fala fala fala dentro de meu umbigo pôdre
controverso.....
tem dias que você prefere ficar assimem casa,em tê vê,em músicas douwns,em amores dispersos!
enjoamos das palavras que nos consomem
somem!!!sêmem!!!homem!!hímen"!
domingo grávido de canções tão repetidas
canso-me em compreender
caso-me com os copos cheios do nada
só quero evacuar esse verso em tua boca!
cheirar paulo otávio
fumar dona eva!
apertem os cintos
a viajem começou!
Adélia Flor-março 2008



Nas cores do quadro" O Grito " de Edvard Munch absorvemos uma explosão de vermelhos confusos, num céu de iluminações paradoxais.É como se a face da angústia ditasse as normas do tempo,nuances de uma atemporalidade borrada.
O céu mescla-se com os poros exasperados do desespero ,riscos de sombras corrosivas,estranhos que caminham em nossa paralisia,atravessando os sons da natureza.


Munch em seu expressionismo pede socorro por uma Universalidade de sentimentos,e por conseguinte por uma incompreensão de gemidos,é como esse grito não tivesse
nunca sido realmente escutado,auscultado.
Hesitação em dar formas á mudez dos sonhos...
Há uma conectividade de elementos entre as cores frias
da figura precária da depressão e da fervura da inquietude.

Segundo o próprio Munch,

"Passeava com dois amigos ao pôr-do-sol – o céu ficou de
súbito vermelho-sangue – eu parei, exausto, e inclinei-me
sobre a mureta– havia sangue e línguas de fogo sobre o
azul escuro do fjord e sobre a cidade – os meus amigos
continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade – e
senti o grito infinito da Natureza. "


A maior característica do quadro,é a materialização
desconstrutiva da expectativa humana,as ideologias
insanas; conceituando solidão,desmistificando a estética da
expressão-domindora do alto modernismo-;o homem torna-se extensão de seu ambiente e seu ambiente recria-se através da continuidade deste mesmo homem.


Dentro da era da ansiedade,analisamos o quadro de Much como um marco da expressão da realidade modernista,esse gesto surpreende,as mãos apoiando o rosto sucumbido pela dor de tantos sentimentos dilacerados, pelo mar negro que se forma por trás da figura alienada,pela indiferença da sociedade perante essa estrada de martírios da alma.



Sua boca propagando o vento,pois é mais silêncio que vozes agudas e graves que escuto,é mais vazio que qualquer devastação de tsunamis,é o humano-extraído-essência-puramente só.
-no encontro com ele mesmo-.Sua lânguida face sem traços..sem ruas,nem marcas...são seus olhos desaparecendo numa paisagem dissolvida em dores físicas,morais e espirituais...



É sua contestada existência acenando em sua catarse declarada, uma projeção do mais profundo silêncio pertubador.Esse Grito é vácuo,é vago...é como a pincelada do expressionismo...que ao misturar-se com os tecidos do espaço forma sempre outro e novo contexto.O “coração tinta” buscando os traços da exarcerbação sensorial.


Adélia Coelho 2008

a ditadora



Quando temos certeza do que queremos nossos sonhos ditam a liberdade?
dar ouvidos a um mundo de conselhos absurdos sobre quem somos
e o norte que escolhemos é válido?
até que Ponto consentimos com nossa verdade ante as buscas incansáveis do ter-ser?
estou aqui sentada no pátio da escola(faculdade)climinha de chuva...
como sempre fazia na quadra na época do colégio.Meditando...
Tenho dimensão que não se trata de um Reality Show porém tenho observado tanto as pessoas e principalmente,ás vezes sem nem perceber o que de mim nelas reflete.
as cobranças,as falhas,os conflitos,as intrigas...
humanos deuses que não admitem a culpa,tampouco a farsa e lutam por um reinado de egos
Inflantes...Triunfantes..Elefantes...
Quando temos certeza do que queremos nossos sonhos ditam a liberdade?
estamos atados a nossa fé,aos nossos laços constantes de ilusão-novamente-Consentimento-
Consentimos nossa auto-sabotagem....
absorvemos toda substância de agoras surreais...e o que esses átomos de verdade nos sopram?
não há como excluir-se do coletivo,a qualquer lugar a diferença ditará as grandes porções de tolerância que precismos diluir...
Dissolvemos uma paciência,quase que nula!construímos uma gradativa auto-análise.
O meio do caminho talvez seja a grande alternativa nem um passado morto,nem um futuro grávido....mas o momento que nos pertence,o dia que temos nas estrelas de cada sol!
nossos crimes são perdoáveis?
quais são as penas cabíveis aos nossos poros exasperados/;/?

Adélia Coelho março de 2008

Quem sou eu

Minha foto
Eu vou,atrevida,pisando nos relógios sento-me nos relógios sou a bailarina da caixa de música que dança em cima dos ponteiros e ilumina mesmo sem querer o outro lado das batidas do tempo... Flô