sábado, 9 de maio de 2009




Para Meu Tesouro:

Mãezinha dorme quieta
Repousa o desespero
Lembra-te do bem te vi
Levanta de tua morte
Encerra esta cena
A realidade pede-te paz
Acorda quieta,olha para ti
O amor que me deste implora por ti mesma
Não deixe escurecer o bom fruto
Não deixes arrancarem a boa árvore do meu peito
Do teu ventre nasci,seguirei sempre como um pedaço dos teus sonhos
Acorda Mãezinha,acorda
a vida ainda te espera.

Te amo Demais até pela eternidade....

Adélia Coelho
para Antoniêta Coelho,escrevi dias antes dela partir...


FELIZ DIA DAS MÃES MEU AMOR,VOCÊ ESTÁ DENTRO DE MIM....
RECEBA MEUS PENSAMENTOS E FLORES DE AMOR..
XERUSSSSSSSSS

sexta-feira, 3 de abril de 2009




Nada que eu ouça tecerá
cada grão que hoje me comprime
Todas as tuas borboletas morreram antes de nascer
E teu sexo finda na prece.Amém?
Não sei mesmo como vim parar aqui
Por um grão também?
Tão nítida como lágrima,tão rápida como o tempo da luz
Um ato interminável de covardia?
Identidade.Identidade
mostre sua carteira!Vaidade!
Só tenho um grão,o grão que resta e me esmaga
o grão que testa e me esnoba
Alimento e nojo.Piada e poesia.Escada e precipício.
Nada que eu ouça limpará cada grão expurgado
que hoje me atesta..
Meus ouvidos são plantas secas aguadas por desertos
Silêncio?
tragam-me a chuva..
Minhas fomes são grãos de girassóis
e meus olhos também surdos
são sementes de uma lua distante
Espero quieta.A lua virá me buscar.
A lua- grão -amarga acalentará meus zumbidos
A lua pátria me dará enfim de mamar
E nada que eu diga, matará os novos grãos aqui agora ,espalhados
neste sopro delicado
e isento de intenção...
Minúscula.Minúscula.Minúscula.

Flô




Meu menino brinca com os cabelos negros
enrolados de suor...
e ainda nem sou mãe,
minha filha enterra o próprio peito
no sono dos malditos,debaixo dos tijolos da casa amarela.
Ela mata beija-flores
A gaita toca sozinha o que venho pedindo para viver há tempos
O menino não escreve em meus seios
com seus olhos duros.Ele deixa passar.
Meus bicos somem...
meus peitos desaparecem..
E todos os corações do mundo ouvem vozes desatinadas
Tudo ficou preso no latido não tido.
No quintal das ilusões hereditárias
Tudo ali, na terra infértil
Meu menino acena
E minha filha morre
sigo,corrente,azêdo e húmus.


Flô



Aqui mesmo em teu mundo julgo
comparecer sargenta de tuas sedes e vontades
onde vou buscar as palavras que moram em ti?
percorri todos os versos que ousaram tocar-te
Sou o que agora chora e finda sua tinta na melancolia
mais solta e improvável
Meus beijos são peixes tontos,minha boca pesca a saliva do mar
em teus poucos pêlos
quero ver a nascente...
por que por teu olhos não vejo o mar?
O que te impede de me abraçar com teus cílios e me chamar de tua?
Essa minha embriaguês natural é mesmo trôpega
não há mais espaço na boca
e meus pus jorra pelos ouvidos de cera
que jamais escutaram tua poesia.

Flô

Lábio serpente




Não há mais tempo
para minha boca chegar até a tua
e não possuo mais moradia
Meu lábio serpente,genioso
vive mesmo de pura nostalgia
não há mais eixo para o que sacode as feridas
Sou do mundo e de deus
Fui jogada na loucura do teu não olhar
qualquer insanidade recatada dá-me náuseas
Fora de teus olhos sempre arredios
chamo com língua teu arrecifes de tédio
cada dobra do teu corpo tem cheiro de mar
Não há mais tempo para minha fome buscar a tua
porque meus ossos estão pintados de vermelho.

Flô

Ali do outro lado deste amarelo
há sótãos qua guardam saudades
Elas ficam talvez na eternidade que sempre reinventamos.
Elas cortam,quando resolvemos abrir as portas
de cada brilho enterrado nos olhos dos tijolos
Do outro lado deste amarelo imenso
que habita corroendo,há escadas brancas povoadas de beija-flores mudos
quando pisamos no primeiro degrau(girassol)o canto é nosso!
Mas beija-flor canta?Achei que só beijasse
E como posso pisar em seu alimento?Enfim...
Quando sobe-se esta escada se evidencia a presença divina do profundo.
E não é o tempo que dita a subida
é o canto-beijo que dignifica cada estadia
e cada degrau é um voo.


Flô

Cartas a uma atriz experiente2




Perderei a única coisa boa
De certo todo o meu resto é deserto
que gosta de sentir sede
perderei o únido laço saudável
Da terra finda-se também cada estação
e suas chuvas que deixam pequeninos órfãos
quando as encostas engolem toda e qualquer história.
Ele jogava bola por ali.Agora?
Em cada pedaço de cimento e carne que mistura-se
salva-se mais um adubo,que nem serve...
para o tipo de dor que inventa o próprio desmoronamento.

Flô

Quem sou eu

Minha foto
Eu vou,atrevida,pisando nos relógios sento-me nos relógios sou a bailarina da caixa de música que dança em cima dos ponteiros e ilumina mesmo sem querer o outro lado das batidas do tempo... Flô