quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A chuva vez por outra parece guerra
despejam do infinito agulhas
despejam do infinito agulhas
água que dilacera,fere mata;
água que afoga,inunda,destrói
Guerra de espadas transparentes
nada escapa de seus olhos molhados
Caem do céu punhais vingativos
caem do céu punhais vingativos
água que encerra histórias inteiras
águe que queima na pele das ávores
água que não mais abençoa,mas envenena
a chuva vez por outra parece guerra
guardo pote cheio de agulhas que colhi
na última chuva que você me sorriu.


Flô
Cética natureza
por tras de todo cinza há vermelho
por tras de toda floresta há vulcão
antes,quando só olhava,via apenas o que não fazia sentido]
Hoje enxergando,ultrapasso árvores envelhecidas
folhas rompidas,vou além do verde desbotado
resgato aquele coração perdido
resgato-o entre o mesmo jarmim que me pariu.
encontro-me com a raiz,que faz-me lembrar
a razão de estar aqui
crédula natureza,que me concede uma dança
em chuvas amigas,uma dança de amores eternos.


Flô
Pré Limi(N)ar

Pêlos ociosos
cravados em túmulos próximos
dentro da carne blocos de saudade condensada
saudada acesa por mágoas
nas veias das folhas secas existe ausência
o ar que salta dos dedos na sinfonia
é o mesmo que ultrapassa o orgasmo no grito
gemidos ansiosos
lançados em manjedouras recentes
dentro dos ossos rios de amor adoentado
afeto libertado por águas
pele em pele,fio a fio de tédios irmãos
frio por frio,tom sur ton
a medida de qualquer paixão é a dor.
Ato1

sussurrar é abrir espaço para partilhar
soluçar é entrar no caos para semear
navalha de dentes firmes
rompe árvore por árvore devorando seus arbustos
seios de abustos fartos
gosadas perniciosas que limitam as palavras
num sopro de suor sagrado
guardo para sempre teu olhar espalhado
espasmos de dedos ávidos
esgotos de almas delinquentes
sussurrar é encerrar o amor ali
naquele instante de glória
no ai de amor eterno.


Flô
fim


O espaço encolhe
hora de encerrar o humano em nós
Hora exata da mudança de lugar
iminência de desmoronamentos concretos
tirem os móveis
apertem os cintos
a casa vai cair
clichês mouribundos
ladrões de quintal
peitos caídos
sonhos rasgados
dentes quebrados
hora de matar
peguem as armas
amem dobrado
durmam de lado
o espaço encolhe
o coração entope
a boca seca
o sexo escorre
hora exata da transcendência
eminente propietária de qualquer coisa menos de si
fechem abraços
cortem os punhos
beijem sem língua
rompam os hímens
guardem os ímãs
esvaziem as coleções
hora de atar
nós
pernas
trincheiras
hinos de adeus
o espaço escolhe
e a alma dita
recomece
dê ré
comece
meça
coma
seja
Já
.


Flô
Ela nutria raízes terrestres em seus cabelos
raízes de asas densas
enormes madeixas de sonhos coloridos
com flores de origami coladas em fio
ela nutria vozes do além em seus versos
marés de caules frígidos
enormes esperanças nas caudas dos desejos mais sutis
ela nutria lembranças em caixas antigas,cartas beijos e fotografias
ela nutria o futuro em espelhos,procriava encejos
voava por entre o mesmo mundo desde que nasceu
precisava passar da janela ousando o clarão
procurava tocar a palavra sem pensamento crítico
mergulhos apenas,encarar a amplidão
ela nutria responsabilidades excessivas
gigantes culpas pelo todo das heranças consanguineas
precisava ultrapassar os muros,tijolos e mangues desse
destino ora jaz enterrado.

Flô
Hão de prender qualquer tipo de Flor
grades são presas fáceis
grades são escadas tensas
hão de arrombar qualquer tipo de prisão
homens são animais indomáveis
homens são fugas intensas
hão de flagrar Flores mantidas em cárcere
privados e depravados covardes que nos alimentam
hão de destruir o último grão de amor em família
as prisões corroem joio,trigo e alma.


FlÔ

Quem sou eu

Minha foto
Eu vou,atrevida,pisando nos relógios sento-me nos relógios sou a bailarina da caixa de música que dança em cima dos ponteiros e ilumina mesmo sem querer o outro lado das batidas do tempo... Flô