terça-feira, 7 de outubro de 2008




Seios de mármore
suspensos em teu céu
azul intenso
único tom
de teus versos ausentes
transcorrendo órgãos latentes
dentro da figura imaginária
de meu país-Feto doente-.

Flô




Em todas as cavidades deste meu corpo estranho
além da formigas que transitam o meu sono
há o mesmo nome de origem.
Durante séculos esta mesma pedra gigante
ressecou o meu ventre
Poluindo as razões insanas-deste mesmo deserto-
ovulação de ócios milenares
Em cada buraco negro a doença consiste no parto
Deste nascimento herdei a normalidade das dores
E a genialidade dos horrores...
Asssim assisto á minha lenta decomposição.
Sublime transgressão
perante a célula mater da desumanidade.
Nasci quando as formigas
habitaram os meus tímpanos.
Sou filha do barulho
de uma fome distante
Dormi,ao tentar chamar em cada pedaço que falta
a mesma mãe.
Perdão,só conheço este mundo.

Flô





Do leite que cai do céu
mãe de misericórdia
Guerra de baús áridos
Mutilei-me quando cozinhava
alguns caroços rotos
do feijão azêdo deste mundo.
O corpo fervilhando
e a guerra tão fria.
Mamei nas tetas das nuvens
e certa noite...
Meu corpo recompôs uma constelação.
Mãe de misericórdia,
Chorai.
Não aprendi a estrelar
Choro o mesmo leite
do peito lunar.

Flô





Passaria horas devastando
as gavetas vazias de tuas pernas...
Múmia esverdeada
erguida por cactos adestrados
Estátua de uma liberdade cega
em face vermelha de um sangue escasso
Passaria horas lendo as linhas de tua madeira sem lei
Descaso do óbvio...
Mas sei que teus documentos estão na cor
Não posso tentar (a)Guardar
teus olhos nascerem do bruto
e teu coração ressurgir do perverso
passaria...
as horas.
Passo eu.
Fica;oras.

Flô

Foto:Juliana Barreto



Do olho máquina
cresce a aldeia morta de sua verdade
Ferros corroem gradualmente
tuas pálpebras malditas
e em posição de cruz
confessas teu pecado
os cabelos guiam serpentes rejeitadas
agora,quando o sono me mostra esta mulher
Golpeio minhas farpas
elegendo minha dançarina em Dó(r) maior
De meu olho máquina
sapateio consciente...
e há uma pedra amarela
que não posso dominar
os caules de aço me elevam
como grande folha-defunto
por céus a marrom sepultar.

Flô



Meu retrato nu
Movendo-se
em teus brancos pincéis
Talvez,me pintasse Ostra,
Talvez fosse apenas Seio,
Talvez Sexo esguio
Ou apenas,Estrela,estática.
Teus dedos já não possuem tintas suficiente
amputaram-me o Céu.
Fiquei assim,solenemente dócil
em minha sepultura
morri de amor estérico.
histérico
(esférico?)
(0).

Flô





Desta felicidade sutil
recolho os traços febris
da grande hostilidade
Em meus pés-passo infantil-
trajeto mudo na tristeza aguda
de dizer-te prejuízo...
Próprio monstro
concha azul e severa
que desterra algas virgens
semeadas pelo vento do mar
Certo dia,minha própria estupidez confessou-me:
Atira-te a olho nu.
Atende ao caleidoscópio dos mariscos lunares
Desta felicidade Sutil
pesquei meu Mar.

Flô

Quem sou eu

Minha foto
Eu vou,atrevida,pisando nos relógios sento-me nos relógios sou a bailarina da caixa de música que dança em cima dos ponteiros e ilumina mesmo sem querer o outro lado das batidas do tempo... Flô