quarta-feira, 22 de junho de 2011

Essa chuva castiga,abençoa
liberta,aprisiona
enxuga e invade
transborda a cidade
corações em barcos
enfrentam turbilhão de lágrimas
que tristeza é essa do infinito?
que chôro sem fim
do dono do mundo
exausto do meu caos.


Flô
E fico,bebendo chuva e saudade...
lambuzada de imagens de ontem
colecionando novas cores hoje
nubladas intenções do verbo:saudar
poderia me emprestar teu guarda chuva?
dissolvo-me em bentas lágrimas
o gelo se forma do lado de fora
tento entrar,tento chamar para perto
E fico bebendo chuva e saudade
impregnada de sensações do amanhã
inventando outros sons hoje
cinzentas isenções,do verbo:amar
poderia ir comigo em meu guarda chuva
buscar o sol?

Flô
Quando tudo mais embaralha
desbatarina
sobra-me poesia nos dedos
palavras que querem saltar
desses muros amarelos tão sombrios
a loucura é traiçoeira
e o amor perdoa cada tijolo de maldade
quando alma se esvai,feito pó pelo mundo
terra seca,chora de saudade
passagem solitária,urubus rondando a prisão
piedade daqueles que só construíram casarios
piedade dos que quebraram amores verdadeiros
em detrimento de coisa alguma
quando tudo mais embaralha,e nem sei o que sinto
peço poesia senhor!poesia neste céu que me invade,
sei que do outro lado,o amor espera de braços abertos!

flô
Vinha o senhor agudo
tristeza infinda em caminhar
cimento de lembranças extintas
concreto de ternuras findas
vinha o senhor amargo
posando de imperador
dominando as ruas do interior
colocando medo,sobre os olhos
vinha o senhor sozinho
sem bengalas,cadeiras ou reticêcias
vinha buscar o tempo
beijei sua mão
quando a minha música parou,a beijei
para anunciar a paz...
ironia,não há paz para os que não amam...
vinha o senhor cinzento
pintando as casas da mesma cor,
mofando os versos,de uma só vez
renunciando seu patrimônio
para uma viagem bem maior
que abram as portas da compaixão
que recebam este senhor com honrarias
vinha o senhor,pedindo socorro
minha mãe,de branco o salvou.


Flô
Por detrás destes olhos
há terra
avisto sementes afoitas por chuva
avisto sementes beijando o vento
avisto solidões bentas pelo mesmo cordão
por detrás destas lentes há chão
há verso remendado,há eclosões acesas
há mar
avisto barquinhos dilatados na pupila
avisto abraços desenhados em papoulas
avisto redemoinhos de sonhos reclusos
por detrás dessas ondas há nuvens
há ciranda encantada,há atmosferas veladas
por detrás do que vês
há mais,há o que de maior condensas
há fogo,aquecendo os dedos
há fagulhas relembrando o medo
avisto a madeira do teu coração ligeiro
avisto tua camisa rendada,teu conto de fadas
avisto intriga cerzida,tua esperteza maltratada
por detrás destes arco íris não há baú algum com ouro
existe apenas tua alma,achando a roupa.
Sendo reencontrada.

Flô

terça-feira, 21 de junho de 2011

fUNERAL2



O carro espera
com seus restos mortais na mala
o que significam os pedaços de teus ossos
se o que me resta é só saudade?
amontoado de vestimentas vencidas
comidas pelo bicho do tempo
pó de dias cansados,sofrimento atado
á caixa de madeira
Te levarão para onde nasceres
queres mesmo ir?
em vida chamavas cidade do fim de mundo
em cada gesto meu,um medo de te ferir de novo
penso e repenso,como você gostaria que fosse
o carro emprestado,aguarda
eu resolver meu destino
para você partir de volta a sua terra odiada.
o que vale os teus restos mortais
se em mim permaneces viva?
se nossa memória ultrapassa os muros
rasgados deste amarelo envergonhado
desta casa envenenada,deste ódio consagrado?
dE que valem todas as culpas juntas
se não se pensa em futuro?
a caixa de madeira segue,
eu me abraço com minha filha,
sem saber,que um dia,também seguirei na caixa..
e ela ficará com o peito partido
como os ossos,deteriorados após dois anos de funeral.

fLÔ
a Queda



o MURO deste Berlim vizinho se romperá
mais de 20 anos de espera
e o que sinto agora?que posso prever a liberdade
amanhecendo como pólvora
posso sentir a liberdade cortando os ultimos laços consanguineos
posso engolir a liberdade saindo dos tribunais
as paredes estão fadadas ao desmoronamento
tudo aqui cairá,irão enterrar-se junto a ti novamentE
teus cacos aqui vencidos,tuas mão aqui apedrejadas
teu nome aqui corrompido,tuas velas aqui jaz,apagadas
o muro deste Berlim,esquisofrenico
o terraço que me tiraram com velocipede e tudo
agora soa dentro de mim uma insonia latente
me tirando até o gosto do ócio,
pensamento incansável,sobre o que é melhor para mim
sinto minha liberdade despindo-se de dor
sinto minha liberdade fechando ciclos
posso ver minha liberdade soltando Chico
libertando os bem te vis que ainda sobrevivem
a este amarelo encardido,de portões cinza em solidão
o que deus fará com os tijolos que restarem deste muro?
o que minha mãe está fazendo agora?
o que na verdade ela quer que eu derrube?
Minha ilha me olha,povoada de sonhos antigos
minha filha me enxerga,deserta de coragens concretas
gostaria de fechar esta porta
para nunca mais.Nunca mais voltar aqui.
Nunca mais lembrar o quanto chamei minha mãe
e ela nunca me respondeu.
gostaria também de partir,mas agora
ainda deste lado de cá.
Que a Luz que nasceu de mim me proteja.
e que a Luz que me gerou fique ainda mais em paz.amém.


Flô

Quem sou eu

Minha foto
Eu vou,atrevida,pisando nos relógios sento-me nos relógios sou a bailarina da caixa de música que dança em cima dos ponteiros e ilumina mesmo sem querer o outro lado das batidas do tempo... Flô