segunda-feira, 11 de agosto de 2008







Peço um trago de olhar
peco por exigir amor demais
peco por lamentar a dor do excesso
em outrem...
A vida inteira aprendi que amor é exagero
amor é pressa
amor é prisão
amor é violação
Do ventre da terra que me pariu
herdei os erros,e todo cálculo inexato do sentimento
a possessão das folhas,a inveja das flores,
Minha raiz deu-me luz,e tira-me todos os dias
Não há justiça maior que justificar meu amor atrofiado
por esta árvore que aqui reside
invadindo-me todas as manhãs
investigando minhas direções contrárias
ao que ela construiu...
devo satisfações a todos os caules aqui presentes
a vida inteira aprendi que amor é culpa
peco por ter que encontrar um bandido
peco por insistir nos crimes mais antigos
em outrem
amor é umbigo
amor é abrigo
amor é fechadura
Do ventre da terra que me pariu
herdei este olhar...
distante
hesitante
deconfortante..
sei bem do mal do meu amor
sei bem que ele fere e afasta
orgulhando mãe árvore
cada vez mais...
mudar de cor?
sei que minha natureza é outra...
mas ainda há tanta semente demente em mim.


Flô

Rítmo dissoante...
chocalho íntimo distante
veias antigas diamantes
subterfúgios excitantes
roda de crioulo branco
sobras de retirantes
retiro meu coração do samba
os batuques confusos cintilantes
devaneios sublimes desta aurora
levanto-me suspensa cadência
vou canbaleando letras doces
vou-me embora
foguete rasante...
Flô

domingo, 10 de agosto de 2008





Arrasto meu samba pela cidade
meu bloco de notas está todo borrado
não forjo os desejos
nem ensaio as bobagens
tu és apenas meu atrás das cortinas
minha ânsia desprovida
expectativa do beijo desconsertado
espio calada a platéia fechada
meu vício maluco
afastar os espelhos...
se fujo do outro na íris
nem na minha encontro sossego
Arrasto minha cidade pelos sambas
meu bloco de luas está todo corado
não decoro os pedidos
nem interpreto as paisagens
tu és apenas o palco sedento
o texto da verdade na cochia
do segredo negado...

Flô




única onda do mar
que por vezes habitava em mim
suas mãos de conchas
surdamente limpavam
minha salgada estagnação
a face deste amor que busco
condena-me em cada espuma fértil
deste mesmo mar
única onda-escuro silêncio-
meu mar morreu
sou só saudade
navego desta falta
que segue desatinada.

Flô




Dentro da conversa poluída
interlúdio de estacionamentos baratos
significados cultos e ocultos
de bem querer sem futuro-boatos-
livro-me do líquido possuído
consagro-me da imcompreenssão calada
esta resposta imensamente oca
me transtorna a cada não olhar
que ainda teimo "purificar"
minha liberdade é suja
e meu chão está ferido
onde posso enfim servir de azul abrigo?


Flô





Juntei pedaços de desertos-por certo-
claridades corrompidas
venci alegorias Sucintas-na dança-
submergi de vôo nenhum-imóvel-
alguns dos meus sonhos são continuidades de cá
dessas desmedidas invencionices
Juntei as faltas
todos os buracos brancos da imperfeição
desfalecimentos interrompidos
perdi alegrias infindas no gôzo
andança...
andança
e quem sabe dançar?
Espalhei os pedaços!


Flô




Lubrifico em meus dedos
as entidades mais explícitas
congratulando mórbidos cantos
bem te vis adoecidos
toda noite revivo o mesmo caos
troco apenas de rios
absorvo somente(semente)
distantes risos
esguios alarmes
transportes,bocejos..
a bebedeira do mundo inteiro
nas minhas maõs...
dirijo consciente-este pesadelo-
necrofilia retardada de lembrança
aqui jaz efêmera esperança.


Flô

Quem sou eu

Minha foto
Eu vou,atrevida,pisando nos relógios sento-me nos relógios sou a bailarina da caixa de música que dança em cima dos ponteiros e ilumina mesmo sem querer o outro lado das batidas do tempo... Flô